Acerca

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Acerca de mim?
Sei lá! Tenho dias…
Dias bons, dias maus!
Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos…

Este espaço?
É meu. Sobre mim. É o meu espelho…

Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.

Onde vivo? No mundo! No planeta Terra! Na terra mesmo! De vez em quando gosto de andar na lua!

 

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4 respostas a Acerca

  1. Ana Horta diz:

    Cheguei aqui um pouco por acaso e perdi-me, com gosto, a ler os posts deste espelho!
    O mais engraçado foi que vi aqui espelhados muitos dos meus pensamentos.
    Vou aparecer por aqui mais vezes de certeza!
    Parabéns por este espaço!🙂

    Ana Horta

  2. Anónimo diz:

    O SONHO DO CARECA

    RECEBI HÁ DIAS UMA CARTA vinda de África. Estranhei. No rascunho referente ao remetente, consegui, a muito custo, decifrar uma só palavra: “Careca”. Senti-me quente, fervi por dentro.

    Essa simples palavra, escrita numa carta chegada do continente africano, transportou-me no tempo até 17 anos atrás, altura em que acompanhei o meu pai, médico destacado para uma missão humanitária em terras africanas. Missão essa que se viria a prolongar por quase um ano. No decorrer desse tempo conheci muitos meninos africanos, a maioria orfãos. Um desses meninos era o “Careca”. O Careca, para além de ser orfão, tinha as duas pernas amputadas logo acima do joelho, traído por uma mina plantada pelos senhores da guerra. O Careca marcou de forma muito profunda a minha adolescência por três razões: a primeira porque dormia dentro de um caixote de fruta a que chamava casa. A segunda por ter sempre pendurado na cara um lindo sorriso, absolutamente inocente. E a terceira razão, a que me fez confusão durante tanto tempo, era o seu sonho de poder um dia andar de bicicleta. Não numa bicicleta normal, mas numa de “fazer assim”, como ele dizia, descrevendo com as mãos o movimento de pedalar, só que esse pedalar era feito com as mãos e não com os pés. Não consegui perceber como é que um menino que dormia na rua, sem família e sem pernas, tinha como sonho algo tão simples para os meninos “normais”, mas tão difícil para ele.

    O tempo passou e chegou o momento de partir. Despedi-me do meu “irmão”, como carinhosamente lhe chamava, entregando-lhe um pedaço de papel onde havia escrito a minha morada em Portugal. Não tinha, no entanto, esperança de que algum dia me escrevesse e pensei que nunca mais havíamos de saber um do outro.

    O tempo continuou a passar e a lavar da minha memória muito do que vivi nesse continente.

    Agora, através desta carta, o Careca dava-me conta de tudo o que tinha feito e de tudo o que lhe acontecera desde então; casara, tinha dois filhos e trabalhava no posto dos correios, a separar correspondência. E, mais importante ainda, como ele fez questão de frisar, está inscrito com o nº 535 para receber duas próteses no novo hospital.

    As lágrimas, porém, só me chegaram aos olhos quando vi que havia uma fotografia a acompanhar a carta. Essa fotografia mudou a minha vida para sempre, de uma forma instantânea e irreversível.

    Nela, ferros, madeira e borracha, juntos de uma forma artesanal e tosca, mostravam-me um sonho; o sonho de alguém que não deixou que o mundo lhe roubasse a alma, de alguém que eu sabia ser um lutador, mas que não pensei que pudesse chegar a ser um vencedor.

    Essa fotografia era a de uma bicicleta. Não de uma bicicleta normal, mas de uma bicicleta onde se pedalava com as mãos. Em cima dela, por detrás dos pedais, o mais bonito sorriso do mundo, o sorriso de quem chegou onde queria. No verso da fotografia, uma legenda dizia: “Ainda não tenho as pernas que o doutor prometeu, mas olha o que eu fiz com as minhas mãos”. Chorei.

    Nessa noite, a seguir ao jantar, fui para o meu quarto, fechei a porta, apaguei as luzes e peguei numa vela branca que há tanto tempo guardara, à espera de uma ocasião especial. Acendi-a e pousei-a no chão, mesmo à minha frente. Puxei o tapete que tinha à entrada do quarto para perto da cama e deitei-me nele.

    Nessa noite senti-me como o Careca que conheci. Um menino que não experimentara o conforto de uma cama. Ao adormecer, no escuro do meu quarto, silenciosamente barulhento, senti no ar o cheiro do mato, das árvores, das queimadas. No meu corpo senti o calor da noite africana e ouvi ao longe a guerra de sons entre grilos e cigarras. Nessa noite a minha pele escureceu, até ficar igual à do meu irmão. “Na madrugada nasci africano…”

    Hoje, dentro de mim, dentro da minha cabeça, o Careca tem uma mulher e dois filhos lindos e embora separados por milhares de quilómetros, continuamos a sonhar, neste mundo sempre nosso, onde TODOS PODEMOS SER FELIZES…

    ricardovieira30@gmail.com

    • Regina diz:

      Obrigada Ricardo, pela partilha da sua história.
      Ando “desligada” e, de repente, depois de o ler, apeteceu-me voltar a escrever.
      Um abraço

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