É pública? É privada?

O debate é atual. Interessa-me e envolve-me. Sou filha da escola pública, sou mãe de filhas que frequentam escolas com contrato de associação. Tenho lido muito sobre o assunto, são tantas as opiniões, na verdade, todas legítimas e todas, ou quase todas, com argumentos válidos. De um lado e do outro. O debate levanta-se sobre os direitos de cada um e os custos. Quem tem de pagar o quê. Se querem os filhos em escolas privadas então que as paguem. Os contribuintes não têm de suportar estes “luxos”. As privadas roubam alunos às públicas. Acabem com as privadas.  São escolas elitistas, para meninos ricos, são escolas redomas, sem diversidade, que selecionam os alunos e que custam mais ao erário público do que as públicas. Sobre este último argumento, acho que já teríamos de envolver a Parque Escolar e isso já seriam contas de outro rosário.
As razões que me levaram a colocar as minhas filhas em escolas com contrato de associação num concelho vizinho do meu, quando no meu há, efetivamente, escola pública, poderiam ser enumeradas e debatidas, mas julgo que, pelo que oiço, ninguém está preocupado com as motivações dos pais, ninguém se quer debruçar sobre a essência, ninguém se rala muito com o facto das escolas privadas ou em contrato de associação apresentarem melhores resultados e projetos educativos mais completos.
Passou-me pela cabeça esta escolha e esta decisão, assim como me passa pela cabeça que para o ensino superior elas consigam média e entrem na universidade pública.  Relativamente ao ensino superior é reconhecido que o público é muito melhor que o privado e por isso é para as universidades públicas que queremos que os nossos filhos entrem. O que os pais procuram é sempre o melhor para os filhos, e se isso estiver errado, então não sei o que é certo!
Preocupa-me é que a maior parte dos argumentos contra as escolas privadas ou em contrato de associação sejam o  “querem escolas privadas paguem”. Pois eu lamento que os pais que querem os filhos numa  boa creche tenham de pagar e não disponham de oferta pública, e os pais que querem os filhos numa básica ou secundária que acreditam  será melhor para os seus filhos tenham de pagar. Não haverá pai algum, julgo eu, que queira os filhos numa escola menos boa, com pouca qualidade, com más condições ou com um fraco projeto educativo. Eu acho que não haverá ninguém que faça essa escolha, e quando a decisão é essa será apenas por falta de alternativa, de opção. Não há outro remédio!
Lamento que um filho que precise de colocar um pai ou mãe no lar, não possa escolher, e tenha de estar numa lista de espera mais de um ano para conseguir um lugar a um preço mais acessível. Pode escolher, sim, mas tem de pagar. O tal argumento “Queres privado? Paga!”.
Lamento que quem precise de usar serviços médicos e hospitalares, tenha de pagar (aos privados) e ter seguros de saúde (que não são acessíveis à bolsa de todos) ou então, em alternativa, entra em listas de espera de longa duração.
O que me preocupa é que, com base nos argumentos que leio, acharem que querer ter acesso ao melhor é ser muito exigente e elitista, querer ter luxos, e o tal  “se queres, paga” sobrepõe-se a tudo, porque se és pobre e não tens dinheiro deves contentar-te com a coisa pública, seja ela a escola degradada ou com mau projeto educativo e maus resultados pedagógicos, seja o lar em contrato com a segurança social que tem um número residual de vagas para pobres e onde é dificílimo obter lugar, ou que as consultas e/ou cirurgias para as quais não tens dinheiro sejam adiadas por longos períodos de tempo porque só podes usar o serviço nacional de saúde e não tens dinheiro para usar a rede privada.
O que me preocupa no debate sobre a escola pública e as escolas em contrato de associação é que não se fala de projetos educativos, nem da qualidade dessas escolas, mas sim daquela ideia de que são escolas para meninos ricos e se não tens dinheiro para os colocar nessas escolas, então pois que elas fechem ou então pois que pagues para teres lá os teus filhos a estudar.
Como se não pagássemos todos, ricos e pobres, com os nossos impostos, os custos das escolas públicas e os custos das coisas públicas!
E como se o facto de não termos grandes salários seja um atestado para nos impedir o direito a melhores serviços, com melhor qualidade e melhores perspetivas de futuro e de qualidade de vida.
Porque isso, parece, é apenas direito de rico!

 

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Pequenas Delícias LXI

Estudava para o teste de história. Fui fazendo perguntas sobre a matéria. Foi respondendo.
Digo-lhe: “Susana, tu sabes a matéria, mas as tuas respostas são sempre incompletas! Tens de desenvolver melhor, explicar em pormenor, dar respostas mais elaboradas…”
Responde-me: “Eu percebo o que dizes, mãe. As minhas respostas são como uma tarte sem recheio, não é?”

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Geringonça

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É mais ou menos coisa com que tenho de lidar todos os dias, a qual não tenho capacidade ou inteligência suficiente para compreender (tais são as engrenagens), que me dá cabo dos nervos e rebenta comigo!!!
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Pessoas doentias

Nem sempre damos por elas, ou melhor, damos sempre por elas, não passam despercebidas, contudo, não nos parecem tão doentias quanto são!
São gente presente, constante, ativa, aparentemente enérgica, dinâmica e empreendedora. São gente sempre atenta, sempre mexida, sempre pronta. Gente sempre muito disponível, muito interessada, muito preocupada. Gente muito valorizada, bem vista, acolhedora, simpática. São os manipuladores. Discretos (quando convém, como lhes convém). Acutilantes. Doentios. Sugam-nos a energia, a força. Sugam tudo o que os rodeia. Vampiros. Cansativos, levam os restantes ao desgaste, ao cansaço, à desmotivação, ao desinteresse. Vampiros que nos levam todas as gotas de sangue. E nós (quase) deixamos.  Levam-nos muito, mas não nos levam tudo! Podem roubar-nos, todos os dias! Podem matar-nos um pouquinho todos os dias. Mas não nos podem levar nem a alma, nem o pensamento.
Esses são livres e são nossos!

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Pensamento do dia.

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“Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.”

Carlos Drummond de Andrade

 

 

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E isto também é felicidade :)

É domingo, passa das 5 da tarde, a mesa ainda está posta, de almoço demorado, a casa reclama arrumação, pois o sábado foi demasiado ocupado para lhe dar a atenção que necessita, estuda-se para quem tem de estudar, escreve-se para quem tem de escrever, as máquinas (benditos eletrodomésticos) cumprem com os seus papéis, lava-se o que se tem de lavar, estende-se roupa, apanha-se roupa,  o ferro e tábua enamoram-me, mas finjo que não os vejo, olho para o resto, não assobio, mas quase!
Nos intervalos, fazemos, as três, barulho como se fossemos uma equipa de futebol e rimos como se fossemos parvas…
E isto também é felicidade 🙂

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Parabéns Chefe

O meu sogro fez ontem anos.
Não me viu nascer, mas é o pai que eu não tive. É o amigo que o meu pai nunca soube ser. É um dos pilares. Dos meus pilares. Com quem eu posso contar, que gosta de mim como se eu fosse sua filha, que me trata bem, que sempre me tratou muito bem, com amor e carinho. É o patriarca. Aquele que sabe, aquele que gosta, aquele que respeita, aquele que dá, aquele que ensina, aquele de quem gostamos e que tem um lugar especial no coração. Aquele que nunca nos desaponta, nunca nos desilude, nunca nos falha e nunca nos falta.
Não encontraria melhor sogro, nem melhor avô para as minhas filhas.
Sou-lhe todos os dias grata, por tudo.
Chefe, Um beijo do tamanho do mundo. Parabéns.

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