Os números são aritmética.

Regresso a casa enquanto ainda não anoitece e venho vagarosa.  Sou pessoa diferente consoante tenha de cumprir horários ou viva na liberdade de ter o tempo todo por minha conta. Dou-me mal com horários. Sou muito mais feliz sem eles.
Regresso a casa, como tantos outros mortais. Também tenho família, também tenho filhas, também tenho jantar para fazer, roupa para lavar e engomar, casa para limpar, contas para pagar. Tudo igual a tantos outros. A diferença é que regresso sem pressa. Sem stress. Regresso com a tranquilidade que apenas encontro ao fim de um dia de trabalho.
Este (o trabalho)  aviva-me, a todo o instante, que uma das coisas mais difíceis de fazer é a gestão do tempo.
As solicitações são mais do que a capacidade de resposta, as ferramentas são várias, desgastantes e emergentes, que teimam em provar-me que o tempo é fundamental e que nada parece mais importante que ele, pois, nessa correria do fazer, fazer, fazer, produzimos coisas, números, posições, rankings, alimento das estatísticas, das folhas de excel e de quem não gosta de se lembrar que as relações, sejam elas quais forem, são feitas por pessoas.
Eu continuo com a mania de gostar de pensar!
Largo a divagação e volto à minha livre e prazerosa caminhada de regresso a casa. É curta e interrompida com muitos cumprimentos, pois a terriola é pequena e a malta conhece-se toda. Ainda assim, tenho tempo, não tenho pressa, estou tranquila. Perco ganho o tempo que for preciso.
A esplanada tem meia dúzia de mesas, não chove, mas já está fresco para assentar arraiais ao frio.
Passo por ali, no mínimo, 4 vezes por dia. Há sempre alguém. Há sempre um bom dia. Há sempre uma boa tarde.
O “inquilino” do momento não é conhecido. Pede-me uma informação “Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta?”, respondo-lhe com um sorriso, sim, claro que sim. E pergunta. E respondo. E prolongamos a conversa. Dez minutos depois sigo caminho com mais um episódio que me encanta e me intriga.
Recebo histórias de vida, daquelas enriquecedoras, que me trazem sempre um ensinamento e me reforçam a ideia, cada vez mais forte e mais firme, de que somos seres emocionais e não meros instrumentos e fabricadores de números, do que quer que seja, para encher folhas de excel, e que me fazem (re)pensar tantas vezes no sentido da vida.
Regresso a casa a sentir-me ainda mais animada. Há sempre alguém ao nosso lado que tem uma vida e uma história, que é sua, mas tão ou mais valiosa que a nossa.
Os números são aritmética.

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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