Dos post’s que eu gostaria de saber escrever… ou que subscrevo, na íntegra, pelo menos!

Sou uma blogger intermitente e de pouca qualidade,  que escrevo pouco e de pouco ou nenhum interesse para quem me lê, e portanto, uma gotita de água num oceano imenso de águas limpas e belas. O meu papel de blogger acaba por ser mais de leitora do que produtora. Há três blogues que eu acompanho particularmente, diariamente até, e que não deixo um único post por ler. O Pedro, de que já tenho partilhado aqui algumas coisas, por ser e se mostrar uma pessoa inteligente, interessante e com partilha de textos com os quais normalmente me identifico. A Sofia, por ser uma pessoa muito positiva, zen e muito inspiradora, de que aprecio tudo e com a qual gostaria de me assemelhar, embora não tenha a sua inteligência para o conseguir. E por fim, da Sónia, que é tudo, é mãe, mulher, profissional, e sobretudo muito genuína que consegue ser equilibrada entre o humor e a boa disposição, e as dores e as tristezas. Uma pessoa real. Daquelas que não têm problemas em assumir-se tal qual como são, cheia de qualidades e defeitos, como todos somos (sem que saibamos lidar bem com tudo isso) e sobretudo sabe mostrar que se consegue viver e conviver bem com as nossas mazelas.
Hoje, a Sónia publicou este post, e eu reproduzo-o (desculpa Sónia, por não ter pedido autorização) porque ele reproduz exatamente o que penso e eu gostaria de saber escrever assim, como só ela sabe.
Contra a ditadura da felicidade
 Não sei que raio de moda é esta mas hoje parecemos escravos de uma ditadura de felicidade. Postamos selfies onde estamos sempre felizes, mostramos a vida sorridente, revelamos muito do que nos enche de alegrias. Até aqui, tudo bem. Na verdade, nos nossos álbuns de fotografias pessoais também não colocamos as fotos que nos exibem as misérias. Não conheço um único álbum, da era pré-digital ou moderna, em que se vejam os protagonistas em lágrimas, num daqueles dias cinzentos a valer. Queremos preservar os instantes realmente fantásticos, queremos recordar mais tarde tudo o que vale a pena recordar. É compreensível. O que já não é assim tão compreensível é o excesso. Vejamos: ninguém tem uma vida 100% feliz. Há dias de merda (pardon my french). Há dias em que temos vontade de sair de bater com a porta, sair para não mais voltar, mudar de vida, esquecer esta. Há dias em que questionamos tudo e choramos a alma inteira. Mas raramente nos atrevemos a partilhar estes estados de alma. Por um lado porque – lá está – queremos apenas deixar escrito aquilo que vale a pena. Por outro, porque sabemos que, na ditadura da felicidade em que vivemos, o mais certo é sermos trucidados, vilipendiados, apedrejados até nos termos esquecido da dor original. Porquê? Porque não temos o direito de nos sentirmos tristes, em baixo, com a neura. Logo virá quem grite que temos uma vida tão boa que falar em sofrimento é um escândalo, praticamente um crime, venha a polícia para nos levar! Logo virá quem aponte o dedo e nos mande sorrir. Logo virá quem fale de vidas escabrosamente infelizes, de dramas que nem supomos, para nos remeter ao ridículo. Deixámos de poder ficar num canto, a chorar só porque sim. Porque tivemos um dia de merda e só queremos amaldiçoá-lo e, exagerando um bocado, aproveitar para amaldiçoar a vida toda. Não podemos. A vida fervilha e, de nós, espera-se o melhor. Bom aspecto, elegância e, sobretudo, a partilha de uma vida que valha a pena ser vivida.
Pois por aqui não se vive uma vida de cenário. Há dias do caraças – que os há – mas também há aqueles que nem vos passa pela cabeça. Ou se calhar passa, se também tiverem a sorte de viverem uma existência real. Aborrece-me um bocado esta urgência em se estar feliz e contente, sorrindo e acenando em permanência. Como se os períodos negros não fizessem também parte da nossa história, e não fossem também eles importantes para o nosso crescimento, para a nossa formação e, até, para a valorização dos tais momentos felizes que gostamos de registar em fotos e em palavras. Os dias cinzentos fazem parte de nós, tal como os outros. Se nos esquecemos disso, caímos no grave erro de banalizar a felicidade. E ela é preciosa demais para ser banalizada. “
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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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