E é isto!

Durante muito tempo fui rebelde.
Tinha duas características que me identificavam muito bem: era rebelde, dizia tudo o que me vinha à cabeça, nunca me incomodava com o que os restantes pensavam, nem que influência isso poderia ter. Durante anos, nas minhas relações pessoais, sociais e profissionais nunca mandava recados, nem deixava nada por dizer. Sempre tive o coração na boca, e assim sentia, assim pensava, assim dizia.
A outra característica era que sempre fui uma pessoa bem disposta, divertida e pronta para a brincadeira, e sempre soube desvalorizar coisas que, embora pudessem ter importância, eu não lhe atribuía muita. Agarrava ideias, projetos, e cheia de energia tentava contagiar os restantes, puxava por eles, envolvia-me, dinamizava, reclamava se fosse o caso, mas lutava por algo que eu acreditava.
Ao longo dos anos, e fruto das circunstâncias  que a vida me castigou ofereceu, percebi que não ganhava nada em ser assim. Perdia. Perdia pelas palavras que dizia, pelos melindres que causava, pela energia que gastava, pelo empenho que colocava e pelos poucos resultados que obtinha.
Aos poucos aprendi a recatar-me, a não dar confiança, a controlar melhor as emoções, a não partilhar com quase ninguém as minhas preocupações, as minhas ansiedades, os meus problemas, os meus sonhos, os meus desejos. Aos poucos aprendi a confiar apenas nalgumas pessoas, e para ganhar confiança nelas fui desconfiada durante muito tempo. Não dou confiança a todas. Não tenho confiança em todas. Não me ponho “ao jeito” de ninguém e não gosto que se “ponham ao jeito”. Não acredito em palmadinhas nas costas – desconfio sempre. Não gosto de abuso de confiança. Não gosto de ofensas – nalguns casos, nem as esqueço, nem as perdoo. Não gosto de piadas de mau gosto. Não gosto de me sentir desconfortável. Não gosto de me sentir posta em causa. Não gosto que desconfiem de mim. Não gosto de não ser levada a sério. Sou honesta. Tento ser sempre justa – acho que sou. Sou leal. Sou determinada. Sou sincera. Sou verdadeira. Sou assim.
À custa desta minha forma de ser, deixei de ser rebelde, deixei de ser brincalhona! Não ofendo, não magoo. Tenho mais bom senso, sou mais equilibrada,  eventualmente menos confiante em mim própria, que tinha a mania do “quero, posso, mando ou faço”, mas muito mais certa do que digo, do que quero e do que faço. Muito mais certa do que gosto e do que não gosto. Muito mais certa do que quero e do que não quero. Muito mais certa do que valho e do que não valho. Muito mais dona de mim, mesmo que menos senhora do meu nariz.
A gente só deve querer o que nos faz bem. A gente só deve querer o que nos dá bem estar. A gente só deve querer o que gostamos.
E é isto!

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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Uma resposta a E é isto!

  1. maria odete bento diz:

    A isso chama-se “maturidade”. Bom exercício de memoria. Adorei bj

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