Ando pelos bastidores…

Vou ao shopping! Vai todo o mundo! A época é propícia, trocam-se os presentes de Natal. Alguns (ainda) sôfregos de compras, aproveitam os saldos que começaram. Os preços baixam de um dia para o outro de um modo tão arrebatado que se torna ofensivo. O comércio usa e abusa das necessidades do povo. É manifesto. As necessidades criam-se. Estudam-se. Inventam-se. Impõem-se. Contagiam-se. Propagam-se. Existem, e alimentam-se!
Famílias com crianças pequenas tiram fotografias, sem qualidade, com um qualquer telemóvel ou uma máquina fotográfica próxima do descartável, junto às decorações de natal. Uma árvore gigante, uma estrela, uma bola, um presente, tudo gigante para dar um ar de grandeza. As coisas volumosas podem parecer grandiosos! Valiosas! Um cadeirão de pai natal, sem pai natal – o homenzinho de barbas brancas e barrigudo que esconde outro homenzinho comum que precisa de uns trocos para ajudar a fazer face às despesas, inevitáveis, e por isso arranja um biscate fácil e simpático, que lhe permite ter um dom (e ter dons é coisa boa, que faz bem ao próprio e aos outros) – é suficiente para fazer uma criança feliz e cheia de alegria, guardando nas suas memórias o momento, para em adulto recordar vagamente e querer proporcionar às suas crianças semelhante felicidade. Os pais fotografam o seu rei no seu trono e acham que a foto é valiosa, porque é cheia de simbolismo e que aquela felicidade espelhada no rosto é tudo o que um pai quer para um filho!
Vejo-os. Observo-os. Imagino as fotos, já de seguida, espalhadas pelas redes sociais cheias de likes e de comentários bonitos e simpáticos, cheios de elogios e boas vontades. E prevejo-os felizes. Com tão pouco, mas felizes!
Penso. Mas porque  tanto penso eu? Porque tenho a mania de olhar para a alma, em vez de olhar para os corpos? Porque quero eu entender o que vai dentro de cada um? Porque agem assim, porque se alegram com tanta coisa frágil, porque se comportam como formigas num carreiro, porque aplaudem tanto, porque ficam na plateia e de vez em quando tentam subir ao palco para o seu momento de glória, mas nunca querem estar nos bastidores? É lá, nos bastidores, que tudo se constrói! É lá, nos bastidores, que está a essência. É lá, nos bastidores, que tudo se forma! É lá, o local onde cada um tem de se encontrar! E fogem de lá!
Gosto de olhar as pessoas. No palco, na plateia, à procura de um lugar…
Lamentavelmente (para mim), ainda não aprendi (apenas) a aplaudir. Ando sempre pelos bastidores!

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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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