“Vai pó ca…” – é linguagem portuguesa e estamos lá todos!!

As vidas não estão fáceis! Para ninguém. Ou para quase ninguém.
Recordo-me de outros tempos em que eramos um povo pobre, analfabeto, e resignado. Hoje acho que continuamos a ser um povo pobre.
Não é analfabeto, mas é iletrado, na sua maioria. Mesmo cheios de licenciaturas e com dê erres antes do nome, somos iletrados, ignorantes e desconhecedores de muitos assuntos. Acho que continuamos resignados.
A diferença entre a resignação da geração dos meus pais é que eles tinham consciência das suas limitações e nem se queixavam!
Agora, não temos consciência de tanta coisa! Mas temos opinião. Muita opinião. Se opinião correspondesse a conhecimento, seriamos o povo mais esperto, mais inteligente e mais conhecedor do mundo… Mas, a realidade é que a nossa opinião é sempre egoísta. Somos do contra, normalmente. Achamos que todos os que têm “poleiro”, leia-se poder, procuram interesses e proveitos próprios. Não posso afirmar que seja mentira. Não posso afirmar que seja verdade. Acho que há das duas variáveis. Mas também acho que todos nós permitimos que isso aconteça. Todos nós permitimos que as coisas corram pelas nossas conveniências. Despertamos para aquilo que nos interessa. Preocupamo-nos com aquilo que nos diz respeito. Os problemas dos outros, são sempre dos outros!
O problema atualmente é que os problemas atingem todos, ou quase todos (há sempre um número residual de privilegiados, de favorecidos).
E agora preocupamo-nos todos. E assustamo-nos. E lamentamo-nos. E reclamamos. Queixamo-nos. Dizemos uma data de palavrões, uns alhos e uns bugalhos, que aliviam e ficam bem e bonito. Mandamos levarem aqui e acolá. E com essa postura, parecemos cheios de atitude. E parecemos os maiores, os defensores do povo, da razão, da justiça…
Que fazemos nós pelo povo, pela razão e pela justiça? Em cada momento do nosso quotidiano? Que fazemos nós na educação dos nossos filhos para que sejam justos, honestos, solidários? Que não queiram ser mais espertos que os outros? Que percebam que a condescendência não lhes será favorável e que sim, os seus esforços e o seu empenho serão valorizados? Que percebam que somos todos pares, independentemente da condição social, da profissão, da religião, da ideologia politica?
Que fazemos nós quando vemos que há injustiças claras contra outros? Como não somos nós, ou alguém dos nossos, os injustiçados não nos intrometemos!
Que fazemos nós quando vemos que alguém está a ser favorecido, no que quer que seja, e não fazemos denúncia?
E que fazemos nós quando percebemos que a inveja mina as relações sociais? E deixamos que assim seja? Que fazemos quando temos o dever de defender causas, mesmo que a nossa atitude a fazê-lo nos possa prejudicar? Protegemo-nos. Ignoramos. Fingimos que não vemos. Não acusamos. Não defendemos. Não lutamos pelas causas dos outros, pelas razões dos outros, pela justeza, porque essa nossa atitude poderá prejudicar-nos!
Depois falamos. Mandamos bitaites. Juntamo-nos todos no café, e agora na versão moderna das redes sociais, chamamos aos outros, os “eles”, cabrões, filhos da puta, e que são todos iguais…
Sempre que olhamos e nos demitimos de ver, somos responsáveis.
Sempre que identificamos o que está errado e apenas dizemos “está errado” mas nada fazemos para corrigir, somos responsáveis.
Sempre que pensamos “outro que faça” porque “eu já preguei para essa freguesia” …
Sempre que pedimos ao amigo “uma cunha”, ao conhecido “uma ajudinha”, ao outro “uma influência” e a outro um “mexe os cordelinhos” “põe lá isso dessa forma” “dá aí um jeitinho” e por aí adiante…
Sempre que somos pouco exigentes, estamos a desresponsabilizarmo-nos.
Sempre que não exercemos os nossos direitos (todos eles, incluindo o de votar) estamos a desresponsabilizarmo-nos.
Sempre que não exercemos as nossas obrigações estamos a desresponsabilizarmo-nos. Sempre que nos sentimos satisfeitos e não vemos a insatisfação ao nosso lado, tornamo-nos tão responsáveis quanto todos os outros…
E dizemos, tantas vezes, que a culpa morre solteira!
A culpa somos todos nós! Em todas as nossas anuências, em todos os nossos silêncios, em todas as nossas não intervenções!
E que tal se, em cada dia que vem, fizermos um pouquinho mais para que vida seja um pouquinho mais justa para cada um dos que se cruza connosco?
Talvez no dia seguinte não fosse preciso mandar ninguém para o cara***, até porque por muito que a gente mande, se não fizermos nada com perspetiva e futuro, ninguém sairá donde está e a mim, parece-me, que o cara*** para onde mandamos não quer lá ninguem!!!

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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