De (pouca) estimação!

Começo com uma declaração forte e, calculo, sujeita a muitos juízos de valor,  muitas considerações, muitas (maioritariamente) opiniões contrárias, e a ideia imediata de que sou pessoa de má formação, grandes defeitos, insensível, pouco solidária, pouco humanizada, pouco emocional e pouco terna.
Pois bem, não me acho nada disso, pelo contrário, mas acho-me com direitos, e sobretudo com o direito de gostar ou não gostar de determinadas coisas.
Assim, cá vai a declaração: Não gosto de animais de estimação.
Sejam eles quais forem.
Não gosto, e nunca tive nenhum. Nem peixe, nem pássaro, nem cão, nem gato…
Não critico quem tem. Acredito que sejam melhores que muitas pessoas. E que, para quem os tem, deles cuida e deles gosta sejam considerados da familia.
Não acho mal, não me incomoda.
Choca-me o abandono e os maus tratos que somos conhecedores. Mas isso choca-me também relativamente a humanos. E sei que há humanos piores que muitos animais. E outros humanos mais mal tratados que muitos animais. E que há sempre razões (válidas ou não, isso é outra questão) para as ações.
A minha declaração vem a propósito dos donos dos animais, que têm efetivamente relações muito saudáveis com seus animais, mais carinho e mais sentimento do que por qualquer desconhecido que com eles se cruze.
Normalmente o animal de estimação que se movimenta com os donos com a maior das naturalidades é o cão, e toda a gente sabe que são muitas as raças (umas muito boas, outras muito más, e as restantes) e são muitas as características e comportamento de cada animal.
Neste campo, os animais parecem-se com as pessoas. Pouca diferença parece existir (excetuando as diferenças fisicas evidentemente, e a faculdade de pensar e agir), todavia, os animais não são responsáveis pelos seus atos, e as pessoas são.
Ora, voltando à minha antipatia pelos animais, não tenho explicação!
Não tenho ódio, e não tenho amor.
É-me indiferente, desde que não me incomodem e que eu não tenha de conviver com eles..
Ainda em jeito de declaração, tenho uma espécie de “cunhado” de raça canina, o qual me conhece bem e eu conheço bem, o qual partilha os espaços todos da casa onde vive e onde eu estou frequentemente, e ao qual eu nunca toquei, nunca fiz uma festinha sequer e ele sabe que eu não gosto que se aproxime de mim.
Mantemos uma espécie de relação cordial entre humanos, tipo “bom dia e boa tarde”, e mais que isso é excessivo para mim.
Portanto aquela ideia de que as pessoas têm medo dos animais ou não gostam deles porque não os conhecem é falsa.
Pode ser por não gostarem mesmo. Que é o meu caso e o caso de uma das minhas filhas.
A outra, até há pouco tempo, tinha uma paixão firme por animais, e particularmente por cães. Adora o cão da familia, adora brincar com ele.
Sucede porém que, fruto da irresponsabilidade de quem tem estes animais que afirmam com muita convicção “ele não faz mal, ele não morde, não tenhas medo” e por isso acham-se no direito de andar com o seu animalzinho solto por onde quer que vão, em qualquer local público (porque o animal é bom, não faz mal a ninguém e os outros são todos estúpidos por terem medo ou não gostarem), permitem que esses animais muito calmos e tranquilos corram atrás de humanos, e mais concretamente de crianças, e ladrem violentamente para elas , em posição de ataque.
Tive durante muitos anos um vizinho que largava um cão doido e solto pelas escadas do prédio onde residiamos e ele descia 3 andares e muitos lances de escadas com uma velocidade estonteante como se parecesse que nunca se tinha sentido livre. De uma das vezes deu de frente com uma criança (a minha), mais pequena que o cão, e de tenra idade (teria aí 2 ou 3 anos) e de frente a ela ladrava-lhe como se o espaço (no caso, comum do prédio) fosse sua exclusiva pertença e ela não tivesse o direito de subir os lances das escadas, a caminho da sua residência, sozinha e tranquila.
Desde aí, se a sua simpatia já era pouca, a sua fobia por cães é completamente incontrolável.
E ninguém entende! Toda a gente diz: “ele não faz mal, ele não morde”.
Isso importa, mas dizê-lo não tem qualquer efeito para quem não consegue enfrentar um animal desses pela frente.
Nem vê-los sequer.
Curiosamente, vejo muita gente com medo de aranhas (eu não tenho) e nunca disse a ninguém “não tenhas medo, ela não faz mal” porque a afirmação não importa nada para quem tem efetivamente medo, ou não gosta.
Compreendo o medo, respeito a opinião, o sentimento, e não forço ninguém a contactar com um ser sobre o qual não tem qualquer simpatia.
Incomoda-me o facto de quem tem animais ande com eles soltos, e no caso de cães sem coleira e sem açaime.
Por causa disso, a minha outra filha que gosta de cães e sempre me pediu para ter um, por duas vezes foi perseguida por cães e em jeito de ataque (mesmo não fazendo mal, mesmo não mordendo) foram marcando o seu território e assustando-a a ponto de eu e ela própria recearmos que agora já tenha medo de cães e não goste deles.
Infelizmente eu não gosto de animais e não tenho nenhum de estimação, mas se não fosse esquisita, acho que escolheria uma jibóia e andaria com ela para todo o lado, solta, sem limitações, porque se uns entendem que eu tenho obrigação de gramar e gostar dos seus cães, gatos, chinchilas, hamsters ou iguanas, porque eles não fazem mal nenhum a ninguém, não terei eu o direito de andar de jibóia (viva e verdadeira) ao pescoço?

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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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