A minha terriola

Viver na província, à partida, pode parecer menos bom e redutor, mas cada vez me convenço mais do contrário. Depende obviamente de muitos fatores e de muitas circunstâncias, mas parece-me que viver numa zona mais calma e sossegada traz mais vantagens que desvantagens. No meu caso, eu odeio filas de trânsito, horas de ponta, transportes públicos e transbordos, por isso, tudo o que fôr não ter esse tipo de coisas é só vantagens mesmo.
Resido na província, num meio rural e rude, de horizontes curtos e visões pequenas. Parece mau. Parece. Mas, estou a 50 minutos de Lisboa, a 20 minutos da praia e outros de 20 de zonas comerciais, cinemas e toda a oferta de que preciso. Assim sendo, estou bem. Tenho o que quiser a dois passos, e não apanho filas, atrasos, gente stressada e impaciente,  e as restantes desvantagens dos grandes centros urbanos, das cidades em geral, e da capital em particular. Só lá vou buscar o bom. O mau, dispenso.
Ora, ainda assim, do meu ponto de vista, o local onde resido é pequeno demais, redutor demais e insignificante demais. E, mesmo vivendo bem integrada e acomodada com a minha vidinha e com a escolha que fiz em aqui me manter, reconheço que não perspetivo que aqui as minhas filhas tenham futuro, aspirações ou alternativas, pelo que sempre que penso na vida futura delas evidentemente que os meus sonhos não as colocam aqui neste territoriozinho onde residimos. A ver vamos! Não tenciono escolher por elas, nem decidir por elas, e por isso, as suas escolhas, elas as farão. Por ora tento mostrar-lhes todas as alternativas, permitir-lhes e dar-lhes as oportunidades de participarem em diversas actividades que lhes permitam abrir os horizontes e aumentar as suas expectativas.
Bom, voltando à terriola onde resido, isto aqui é uma vila pequena que, do meu ponto de vista (arrisco-me a ser “crucificada”) não interessa nada a ninguém, que não apenas a quem cá reside. Ninguém aqui vem fazer nada. Isto não é passagem, não tem nenhum atrativo, nada que cative, que atraia, que justifique! Só cá vem e só cá vive quem quer e gosta. E, quanto a isto, nada de errado. Nem me estou a queixar. Por isso, quando penso nas obras que se vão fazendo, penso sempre na satisfação das necessidades de quem cá reside, nas aspirações destas pessoas e na utilidade e vantagem dos melhoramentos que planeiam.
Há muitos anos que existe um parque, simpático, que poderia ser um local agradável, de romaria e passeio das famílias, e sobretudo de bom proveito para as crianças. Durante anos esteve abandonado e descuidado, tornando-se local de frequências menos boas e desinteressante. Recentemente, foi melhorado, e gostei muito daquilo que foi feito, mas, considerando que não vejo continuidade nas obras, permito-me concluir (e eu sei que posso estar a concluir precipitadamente) que vai ficar ao abandono mais uns tempos e sem proveito massificado pela população. Desperdício! Bem, e quanto a este parque, há anos que me questiono o que pensará quem projecta e quem decide, porque parece-me completamente anormal uma zona de espaço verde (não é bem verde, pois não é cuidado, mas é espaço verde em termos de projeto arquitetónico) e de divertimento para crianças não possuir espaços de wc públicos. Devem pensar que as crianças não têm vontades imediatas e inexplicáveis de ir à casa de banho, e que se controlam facilmente com um “espera um bocadinho que já vamos para casa”, mesmo que a casa fique a uns bons 15 minutos de distância!
Outras obras têm sido feitas, e eu sei que foi feita uma audição prévia à população, na qual não participei e confesso não me preocupei; também por isso, até agora, não fiz qualquer referência às obras, nem aqui, nem em conversa banal com conterrâneos. A minha ausência na sessão de esclarecimento foi, em última instância, uma anuência ao projecto! Embora, tenha ouvido dizer, e não sei se efetivamente assim foi, que a participação na sessão de esclarecimento não teve qualquer efeito porque as decisões estavam tomadas! Bem, sei que arrancaram árvores muito antigas,  destruíram e (re)construíram o largo existente, que tinha duas finalidades (acho eu), embelezar a terra e local de estar e de convívio entre pessoas com menos afazeres que se satisfazem sentadas em bancos de jardim (nada contra, note-se). Daqui resultou um largo moderno, sem árvores e sem sombras, sem bancos de jardim, mas com paralelípipedos de cimento e uns candeeiros engraçados que dão um ar todo moderno à terra. Esqueceram-se porém que o conteúdo é o mesmo e quem faz a terra são as pessoas!
Agora, inciarem as obras na principal avenida cá do sítio. Estão a partir aquilo tudo, para dar qualquer outro aspeto e qualquer outra utilidade à dita rua, nomeadamente, pelo que oiço, mais estacionamento. De resto, não vi o projeto, não sei o que dali sairá.
Mas questiono-me!
Achava eu que o objectivo principal dos munícipios é permitir, favorecer, que os seus munícipes tenham melhor qualidade de vida. E sinceramente, não sei que utilidade estas obras têm tido para a população residente, que não a imagem exterior de maior modernidade! Mas, afinal, o conteúdo é o mesmo! Onde pára a modernidade?

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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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2 respostas a A minha terriola

  1. Maria diz:

    Está muito interessante e descritivo o seu texto, concordo plenamente quando diz que ” quem faz a terra são as pessoas ”
    Na sua terra pode não se passar Nada…por sêr pequena, mas nas grandes cidades pagamos bem caro por se passar tudo … infelizmente mais de Mau que Bom.

  2. Que mariquice é esta… dos pontinhos brancos para lá e para cá? Assim não consigo concentrar-me no texto 😀

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