Um dó li tá

Tenho andado a pensar na greve de hoje!
Curiosamente fui ler algo que tinha escrito sobre a última greve geral, e reparei que a mesma foi precisamente há um ano! Coincidência tão estranha esta!
Bom, tenho andado a pensar na greve!
Se devo ou não devo fazer!
Nunca fiz greve na vida. Trabalho desde muito nova. Desde os doze anos de idade que as férias nunca foram passadas na praia ou a descansar, mas sempre a trabalhar.
Trabalho na mesma Instituição há mais de 22 anos e nunca fiz greve.
A razão disto é que eu nunca fui defensora destas coisas e sempre achei que as greves prejudicam muitos e favorecem poucos. Confesso que sempre achei pouca utilidade na coisa! Pouco efeito, pouca razão!
Mais de 20 anos depois, e perante um país embrenhado numa situação financeira complicada e com um governo que aplica medidas de austeridade duras e difíceis de suportar, pela primeira vez andei uns dias a ponderar a minha participação.
Li várias opiniões, umas a favor, outras contra.
Vi argumentos de que, neste momento, o que o país precisa é de gente que trabalhe e de produtividade, que não tem capacidade para suportar greves.
Mas, que diabo! Quem diz isto pensará que não foi produtivo e eficiente durante estes anos todos e que ajudou a que o país chegasse ao estado a que chegou?
Confesso, sinceramente, que não entendo este argumento!
Eu sempre trabalhei, sempre me considerei produtiva e eficiente, sempre contribuí para o bom desempenho da minha Instituição e do Grupo a que a mesma pertence. Não sinto que agora tenha de produzir mais ou dar mais de mim, porque eu faço-o diariamente e dou o meu grande contributo para a produtividade do país!
Durante todos estes anos, houve alguém, com poder, na política ou nos jogos de interesse a que a mesma se presta e se move muito bem, que foi abusando de mim e de tantos outros portugueses e foi arranjando maneira de encher os seus bolsos, ainda que de forma legal (através de leis por eles aprovadas), por via de empregos especiais para amigos, jobs for the boys, carreiras exageradas, prémios desmedidos, salários excessivos, pensões vitalícias e outros abusos e falta de respeito com os restantes portugueses, classificados por eles, talvez, de plebe, populaça ou serviçais.
Existimos para os eleger (eu sempre exerci esse dever) e para pagar impostos (também sempre o fiz) e assim há sempre a garantia de poderem esbanjar, gerir indevidamente e muito mal os dinheiros públicos, porque mesmo quando a coisa corre menos bem, não são responsabilizados e quem paga a factura não é quem está no poleiro mas sim os outros, que somos muitos, mesmo muitos!
Ora, fico aqui a pensar, se somos muitos, deveríamos ter algum poder, e conseguir fazer algo para mudar estas coisas!
E que fazemos nós? Nada. Pois, parece-me que nada!
Aquilo que fazemos é queixarmo-nos, darmos bitates, opiniões daqui, opiniões dali, sugestões daqui, sugestões dali, mas a coisa continua igual!
Bem sei que o governo actual está a tentar corrigir erros, muitos erros do passado, mas está de tal forma a exagerar na dose sobre aqueles que mais contribuem para sustentar o país, que me parece que estes vão desaparecer… e fazemos o quê ao país?
Até podiamos fazer-lhe o enterro, mas duvido que haja alguém disposto a ceder-nos algum terreno para o enterrar!
Ora, eu, que nunca fiz greve na vida, e que nunca ponderei a emigração aqui para os meus lados, começo a sinto-me frustada com tudo o que me tiram! Quase diria que até a vontade de viver! Ou de aqui viver! Que não vislumbro bom futuro para as minhas filhas, nem para mim! Que tenho um um sentimento de angústia, de desilusão e descrença!
Então faço o quê?
Continuo a fingir que vivemos numa democracia e acato tudo com um sorriso no rosto? Reclamo, e continuo a reclamar?
Encolho os ombros e continuo a encolher?
Lamento-me e continuo a lamentar-me?
Será a greve a minha voz?
E serei ouvida? Ou é mais do mesmo, e continuo por aqui assobiando como se o assunto não me dissesse respeito?
Não será a greve, neste momento, a única forma de mostrar a insatisfação pela governação destes anos todos e que levaram o país a este estado miserável?
E será a greve o meio?
Vou dormir, e daqui a pouco quando acordar, talvez, quem sabe, estas ideias estejam todas mais assentes!
Ou não, sei lá!

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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