Ensinar e Educar

São muitas as teorias de educação.
Educar é, no essencial, um ato de amor, de muito amor, onde deve imperar o bom senso, o equílibrio, bons príncipios e valores. Diz-se que se transmite o que se aprende, e que o que as crianças vêem é aquilo que farão em adultos, que reproduzirão para os seus filhos a forma como foram educadas.
Não sei se concordo plenamente com esta teoria, pois eu própria sou a sua contradição.
O ambiente onde somos educados é determinante para a nossa construção enquanto ser adulto, e a nossa própria personalidade é determinante nessa construção. A personalidade molda-se, constrói-se, altera-se, é dinâmica, mas os traços são relativamente estáveis no tempo. Há características que não mudam, ainda que cada um aprenda a fazer uma autorregulação e um autocontrolo sobre si mesmo.

Sou educadora, porque sou mãe, e compete-me transmitir-lhes a essência.
Ensinar-lhes a filtrarem, a gerirem, a controlarem os estímulos e as emoções. Não tenho a mania de que sou a melhor educadora, mas orgulho-me da educação que dou.
E tenho, porventura, conceitos diferentes dalguns.
Tenho uma forma de educar que valoriza o diálogo e a verdade, desvalorizo a proibição e a autoridade.
Não sou autoritária. Nunca fui. Odeio a autoridade, talvez por ter vivido demasiado tempo sob esse tipo de pressão, e odeio o conceito de que os adultos é que sabem e as crianças têm de obedecer. Nunca as eduquei assim. E não estou nada arrependida.
Os adultos sabem, sim, têm essa obrigação, mas as crianças ensinam-nos bem mais do que às vezes pensamos.
São sobretudo, seres humanos, absorventes e puros, carentes e meigos; quando assim não se apresentam é porque outros fatores estão a interferir nas suas emoções e os levam a outro caminho mais tumultuoso e difícil, mais perturbante e mais difícil de recuperar.

Nos meus contactos com o ensino, tenho verificado que há quase sempre uma barreira entre os professores e os pais. Os professores acham, muitas vezes, que os pais educam mal, e os pais, que conhecem os filhinhos no seu ambiente mais íntimo acham sempre que os professores exageram na descrição da postura dos seus filhos. Ainda não consegui encontrar o equílibrio entre as partes. Ainda não consegui entender qual é o erro da escola. Porque efetivamente há um erro dos pais, fruto da evolução da sociedade e da evolução do ensino: a autoridade da escola e do professor perdeu-se, e os pais desvalorizam, muitas vezes, o papel do professor como educador.
Quando eu era criança, os pais confiavam os filhos aos professores no sentido mais amplo, em que deixavam ao professor toda a liberdade para educar, substituindo-o por eles próprios. É evidente que esta prática tinha de mudar, porque a sociedade mudou, porque as mentalidades mudaram e porque houve uma evolução, natural e saudável, felizmente.
A questão da autoridade na escola é mais complexa.
Eu penso que nem os pais, nem os professores, devem desautorizar ou desvalorizar o trabalho da outra parte. Devem sim, ter uma colaboração estreita e empenhada. Em vez de frente a frente, devem trabalhar lado a lado.
Acho que aqui reside o segredo de alguns professores e de alguns pais. E o sucesso nalgumas formas de educar e ensinar.

Ainda assim, eu que sou educadora, e que quero ter e tenho tido esta relação estreita com a escola, sinto-me, juntamente com o meu marido, guardiã das minhas filhas e legítima e totalmente responsável por elas, pelo que quero continuar a educá-las, como o tenho feito, e do meu ponto de vista tenho feito bem (porventura todos nós, pais, o acharão) e quero que os professores as ensinem, de preferência bem, e que nem destruam, nem desvalorizem o meu papel, que eu farei o mesmo com eles.

À laia de desabafo, digo que conheço muitos professores que também são pais, e confesso, sinceramente, que desejo ardentemente que eles não queiram educar as minhas filhas, porque elas estão muito mais bem servidas por aqui!

Anúncios

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
Esta entrada foi publicada em Pensamentos com as etiquetas , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s