O que se faz por “amor”…

Recentemente tive contacto com uma situação, que não imaginava, e que me surpreendeu na medida em que percebi o que as pessoas são capazes de fazer ou exigir em nome do amor… A dúvida que me surgiu foi “será que é amor?” e ” o que é o amor?”
A situação em concreto não a vou revelar, uma vez que se trata da razão íntima de uma pessoa que poderei dizer, é uma figura pública na área do jornalismo. A sua opção, neste caso, levou a que me explicasse porque fazia escolhas, opções ou restrições ao seu modo de vida, do seu ponto de vista, em nome do amor…
Ora, comecei a pensar no assunto, e fiquei com dúvidas do que é o amor, porque, do meu ponto de vista, o amor não se pode sobrepôr à razão e não pode fazer exigências nada razoáveis…
Se nós amamos, devemos aceitar o outro como ele é, como ele gosta de ser, como ele vive e como ele quer viver… Se não conseguimos aceitar isto, lidar com isto, sobreviver a isto, então, eu acho que não é amor… Se exigimos que o outro altere a sua forma de estar, a sua forma de vida, a sua forma de ser, estamos a exigir que aquele que achamos que amamos se torne à nossa imagem e semelhança, ou à imagem e semelhança daquilo que idealizamos do outro… Se criamos regras de relacionamento e impedimos o contacto do ser amado com os seus relacionamentos antigos, com os seus amigos, com os seus familiares, com os seus conhecidos, isso é amor?
E o outro, se aceita condições e exigências, está a demonstrar amor?
Pois eu acho que não.
Quem ama não exige, dá.
Quem ama não cede, oferece.
Quem ama, procura a felicidade do outro e se o outro vive feliz como é, não lhe pode exigir mudanças, porque está a oprimir, a forçar, a provocar uma reação que não é legítima, pura e verdadeira. Isto não quer dizer que as pessoas não vão alterando, voluntariamente e por necessidade sua, a sua forma de estar. Sucede normalmente. Diz-se que ao fim de andar uns dias com um coxo, também se coxeia. Pois, as pessoas vão se moldando umas às outras, mas de uma forma natural, sem pressões.
Quem ama, se percebe que não é capaz de viver com aquela pessoa, nem aceitá-la como ela é, então se a ama de verdade, deixa-a solta e feliz e não a prende com condições e exigências…
Amar é dar-se sem condicionantes, desejar a felicidade do outro, querer vê-lo feliz, é confiar… É por isso que as relações são difíceis, porque as pessoas exigem dos outros…
E amar é dar-se ao outro.
Se um exige porque não confia, e o outro cede argumentando que é por respeito à pessoa amada… Onde está o amor? Se não confia, não ama! Se cede, não respeita! O primeiro, para amar, tinha de confiar, e o segundo, se respeitasse não dava origem à falta de confiança!
Esta é a minha opinião, evidentemente!
No caso, em concreto, o casal continua feliz e “amando-se”, ele a fazer as cedências que ela lhe exige, e ela contentinha porque acha que o respeito que ele lhe assegura é amor!
Vivem felizes com este fingimento!

Anúncios

Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
Esta entrada foi publicada em Pensamentos com as etiquetas , . ligação permanente.

2 respostas a O que se faz por “amor”…

  1. nunoanjospereira diz:

    O importante num relação, ou melhor um dos factores também importantes é o que eu posso dar a essa relação, qual o meu contributo, em vez de o contrario, o que é que eu posso “tirar daqui”. É vital para que a relação se mantenha, fazer cedências, mútuas e não apenas reitero a sua opinião, se alterar tanto a pessoa que amo, provavelmente estarei a amar a imagem que gostaria que essa pessoa fosse e não como ela é. Isso é cavar o abismo e adiar os problemas para mais tarde, agravando-os.
    Por norma não comento blogues com estas lamechices mas a verdade é que são os sentimentos que tornam a vida mais rica, e tenho a sensação que cada vez mais se esconde o que mais se deveria mostrar, amor. Se calhar não deveria adjectivar como “lamechices” assuntos de importância vital.
    O que se faz por amor é dar.

  2. Regina diz:

    Pois.
    Acabou por dizer tudo:”Se calhar não deveria adjectivar como “lamechices” assuntos de importância vital. O que se faz por amor é dar.”
    É isso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s