A Geração Rasca e a Geração à Rasca

Vou ser polémica. Eu sei.
O privilégio de pensar, ter opinião e divulgá-la, implica depois as consequências, as críticas, e o contraditório, o que, do meu ponto de vista é muito bom. É da partilha e da troca de opiniões que as visões se alargam, se derrubam barreiras e alargam horizontes…
Pois bem. Começo por dizer que fiquei muito satisfeita com o número de pessoas que se manifestaram ontem em todo o país. Tenho a sensação de, pela primeira vez, ver o povo junto por uma causa única e maior, sem apelos ideológicos e partidários: Lutar por um país melhor. Acho que é o que todos queremos e que é um grande objectivo… E bom.
A manifestação foi um começo, no sentido em que foi a primeira mostra de união, mas, o resto, o princípio desse fim (objectivo) requer muito trabalhinho no futuro. Pois, que isto de ficar sentadinho à espera que aconteça, já lá vai o tempo!
E, para fazer um país melhor é preciso uma mão e um passo de cada um de nós, uma mão e um passo de todos… Aqui, sou um bocadinho mais descrente! Não me parece que todos venham a fazer por isso… Vamos ver!
A ideia da geração rasca, que surgiu nos anos das polémicas propinas no ensino superior, quando Ferreira Leite era Ministra da Educação, num editorial do público escrito por Vicente Jorge Silva (que eu gostaria de reler, avaliar quanta verdade lá estaria e quanta verdade se manteve até aos dias de hoje),  incluía os nascidos nos anos 60 e 70. Pertenço assim, por esta ordem lógica de data de nascimento, à geração rasca. E pertenço assim, pela mesma ordem lógica à criação da geração à rasca. E começo a achar que há alguma razão nisto. Às vezes tenho dúvidas, questiono-me!
A atual geração foi educada com a ideia básica que basta ter uma licenciatura em qualquer coisa, para se arranjar emprego, para se ter sucesso, para ser alguém. A atual geração foi educada que basta pôr uma cunha, basta conhecer alguém, basta ter muitos amigos… A atual geração foi criada que basta querer ir ali, participar no festival acolá, sair para acoli… A atual geração foi educada que basta querer que os pais têm, basta pedir que os pais dão, basta desejar que os pais satisfazem… E os pais (a minha geração – a rasca) construíram uns castelos, sem alicerces, lá bem no ar, a viver de aparências e fachadas, de carros bons e grandes casas (tudo pago a prestações, e com dificuldade), de viagens pelo mundo, e férias luxuosas, e profissões de nomes pomposos (diretorias, acessorias, assistências, e outras coisas mais) que na prática se resumiam a muito pouco! Daqui resultou a frustação destes jovens, geração à rasca, que acreditaram que a vida era fácil, e que andavam na universidade a aprender o conhecimento (“canudo”) para o aplicar rapidamente numa qualquer empresa que por si esperava! A realidade é bem diferente. Os bons, os muitos bons, conseguem… os outros, sujeitam-se. E têm de fazer pela vida…
O erro da geração rasca foi educá-los no facilitismo, enganando-os e fazendo-os acreditar que tudo se obtinha num estalar de dedos…
Essa geração rasca, que tinha carros em terceira ou quarta mão, que vivia com os pais em casas modestas, com móveis antigos e televisões a preto e branco. Que fazia férias no campismo, que não viajava para o estrangeiro. Que brincava na rua, a andar de bicicleta. Que se juntava à noite, num grupo de amigos, a tocar viola e a cantar. Que ia à discoteca e se divertia animada. Que tinha pouco e improvisava. Fazia “vaquinhas” para a gasolina. Vivia feliz com a escassez…
Quando começou a ter, esqueceu-se do resto, e ensinou os filhos que ter é bom, que sonhar é bom, que ter um curso é bom…
Esqueceu-se de ensinar os filhos que primeiro tinham de ser, que deveriam sonhar, mas lutarem por esses sonhos, e que ter o curso é bom, mas é necessário aproveitar a aprendizagem e o conhecimento. (Conheço muitos licenciados que não sabem escrever português!!)
Esta geração rasca (onde, por força da data de nascimento, me incluo) permitiu o oportunismo, a corrupção, o interesse… Permitiu que o país chegasse onde chegou!
E agora todas as gerações estão à rasca!!
Pode ser que esta, a geração à rasca, saiba levar o sonho a bom porto e construir um castelo, mais modesto, mais simples, mas muito mais sólido!

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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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