Esta crise que nos mata!

Esta crise que nos acompanha, que nos assombra e que alimenta o pessimismo está a deixar-me farta!
Farta de ouvir os media a falar sobre isto!
Farta de ouvir os opinion maker a falar sobre isto!
Farta de ouvir os economistas a falar sobre isto!
E farta, fartinha, de ouvir os políticos a falar sobre isto!
Eu até entendo que a situação é real, que é importante chamar a atenção das pessoas para o problema, que é importante sensibilizar, que é importante mudar hábitos, que é importante agitar e acordar para a realidade… Entendo, e acho que nalguns aspetos a crise veio colocar alguma ordem, alguma regra, e alguns critérios para a definição de prioridades. Vejo isso no meu quotidiano, até porque trabalho numa área muito sensível às questões económicas.
No meu caso pessoal, na minha vida particular, sempre fomos controlados e contidos nos gastos. Sempre ensinamos as nossas filhas a fazer escolhas… Elas sempre souberam que não podem ter tudo o que querem, que há prioridades e que as necessidades são satisfeitas sobre uma hierarquia bem definida. Mas, reconheço que nas suas convivências, houve hábitos que as pessoas alteraram… Já começa a haver uma maior sensibilização no consumo, e inclusivé, já se assumem mais facilmente as dificuldades…
E se considero isto um passo importante para o futuro das nossas crianças e adolescentes, e um passo importante na educação, na formação, e nos valores que lhes são transmitidos, lamento também que a minha geração, que foi a mais privilegiada, tenha hipotecado tanto esse futuro…
Chateia-me ouvir os tais que falam nos media apelando à poupança, à contenção das despesas, ao controlo dos excessos, à proibição dos luxos!!! Eles acham que é luxo, usar o telefone, ir ao cabeleireiro, ter aquecimento em casa, ter internet, ter cabo, quem sabe, ter carro…
Isto chateia-me mesmo! Eu entendo! Mas, acho ridículo, eles, que ganham balúrdios, que são pagos para dar estas opiniões, que podem ter todas estas coisas e fazer tantas outras que o comum e vulgar povinho nem pode ousar pensar, virem com estes apelos!!!
Quem é que pode poupar o quê? Poupar o que não têm ou não ganham?
Limitar os gastos? Onde?
Eles não precisam de o fazer e por isso falam desta forma… Se calhar, até fazem! Se calhar, em vez de viajarem para fora do país 6 vezes por ano, reduzem para metade! Se calhar, em vez de jantarem fora 4 vezes por semana, reduzem para metade! Se calhar, em vez de irem ao cinema ou ao teatro 4 vezes por semana, passam a fazê-lo só uma! Se calhar, não deixam de ir de férias, um mês no Verão, para o Algarve, porque têm lá casa, e como pagaram o condomínio ou o imposto sobre imóveis, têm de dar uso à casa! Se calhar, não deixam de colocar a água na piscina, porque piscina sem água não interessa a ninguém!
Se calhar, não deixam de usar as autoestradas e passar na via verde, porque ganham tempo e como tempo é dinheiro… estão a poupar!
A tv por cabo têm de mantê-la, até porque o seu trabalho implica estar informado, e a informação das grandes cadeias televisivas internacionais só passa aí… É uma questão de investimento no seu próprio trabalho!
E por aí adiante… tantas haveria a enumerar….
Esta malta sabe falar… Falam bem, muito bem! Têm excelente facilidade de argumentação e têm muita razão no que dizem…
Esquecem-se é que a malta que os ouve, não tem nada!! Não tem os eurozitos para poupar, já nem o tem para gastar no essencial!!! Quanto mais poupar!!! Poupar em quê??
E depois dizem que isto só se resolve sendo mais produtivos!! Porque os portugueses produzem pouco!!
Eu acho que começo a entender o conceito!! Parece-me chinês!! Do tipo, quanto mais produzires, mais ganhas!! E o que ganhas? A hipótese de te manteres vivo!! Se trabalhares muito, muito, ganhas mais do que o outro que trabalha menos, e assim, consegues comprar a comidinha que o outro não consegue!! E outro morre de fome, e tu não!! Boa, sim senhor! Esta é uma excelente forma de produzir mais!! É a lei do mais forte…
Recordo-me dos meus pais me contarem as dificuldades das suas vidas antes dos anos 60 ou 70. Que a comida era pouca para um, mas repartida por quatro ou cinco.
Andavam descalços. Tomavam banho uma vez por semana. Compravam uma roupa nova uma vez por ano. Andavam a pé. Aqueciam-se no braseiro da chaminé. Não tinham luz. Salgavam as carnes, do porco que alimentavam e matavam uma ou duas vezes por ano, e era motivo de festim.
E viviam “felizes”… Toda a gente vive “feliz” com o que tem! E sobretudo se não conhecer e nunca tiver visto o que não tem!
Quem nunca viu o mar, não sente necessidade de ir à praia…
Considerando as opiniões e sugestões dessa malta que lá vai à tv, agora o que importa é trabalhar muito e gastar pouco…
Ora bem, começo a imaginar, que estamos quase em condições de voltar a esse antigamente… Trabalhar de sol a sol, parece-me que dará um bom nível de produção… Com esse horário alargado, acho que não há tempo para gastar os cêntimos ganhos nesse dia… E assim, dentro de alguns anos somos novamente um povo piquinino, rudezinho, infeliz e caladinho, quem sabe iletrado e ignorante!!! Mas, com malta muito culta e viajada, bem vestida e alimentada, nos altos cargos, e a representar com orgulho a sua nação… “Orgulhosamente sós…”

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Sobre Regina

Acerca de mim? Sei lá! Tenho dias… Dias bons, dias maus! Momentos. As nossas vidas são feitas de momentos… Este espaço? É meu. Sobre mim. É o meu espelho… Disseram-me que o meu sorriso é o Espelho da minha Alma. E eu concordo.
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2 respostas a Esta crise que nos mata!

  1. MOB diz:

    Boa, muito bom , esse raciocinio, pena que os politicos nao leiam o que os pagantes o
    que o povo pensa, de qualquer forma eles nao iam mudar. Bjos

  2. Anónimo diz:

    Menina! Isto é matéria para publicar no jornal… nem que seja no área-oeste! Parabéns…

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